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Sobre ética - ou falta dela - na publicidade brasileira

Sobre a resoluçāo nº 163/14 que determina que publicidade voltada as crianças é abusiva me parece tāo redundante e óbvio, pois, a criança ñ tem identidade formada e capacidade de julgamento, desta forma é tāo fácil persuadi-la - os adultos ainda sāo seduzidos pela publicidade… Na maioria de países desenvolvidos predominam leis que protegem suas crianças da lavagem cerebral elaborada por publicitários. Claro que propaganda de produtos direcionados para crianças continua a existir, mas com linguagem voltada ao público adulto - Interessante ver como (só) num mundo capitalista alguém que é considerado inocente possa ser incentivado (manipulado) para consumir - isto é, realmente, um bom negócio (estima-se que o mercado infantil movimente 50 bilhões de reais por ano) e esta nova regra vai de encontro aos interesses de quem lucra - digo: quem anuncia, quem cria anuncio e quem veicula - estes correram para solicitar que o CONAR (sim, o orgāo que eles dominam!) determine o que é abusivo ou nāo. Os interessados afirmaram que o Conar é o melhor e mais eficiente caminho para o controle de práticas abusivas. Um minuto de silêncio. Aqui jaz a ética e agora reina a cara de pau e os interesses próprios. Mauricio de Souza, o criador da turma da Monica fez campanha onde colocou uma foto de criança segurando cartaz que diz que a criança tem direito a assistir publicidade infantil - isto ñ surpreende pois o pai do Cebolinha e Monica licenciou mais de 3 mil produtos infantis, com os quais fatura R$ 2,7 BILHÕES por ano. Deve-se lembrar que esta defesa de que criança pode decidir sobre tudo se dá no país onde a criança (até 18 anos) ñ pode ser responsabilizada penalmente por nenhum ato por ser julgada incapaz… Sobre o Conar É o orgāo que regulamenta a publicidade no Brasil, mas me parece mais uma associaçāo feita para legislar em causa própria - pois este é formado por quem anuncia, quem cria os anúncios e quem os veicula - me parece um absurdo - e talvez (?) antiético, visto que ele frequentemente preserva os interesses de poucos desrespeitando o todo. O Conar se propõe a fazer a ética na publicidade ser respeitada, evitar a veiculação de campanhas ofensivas, abusivas, enganosas ou que desrespeitem consumidores, agências e anunciantes. A instituiçāo recebe as críticas sobre os anúncios e, após avalia-las, determina o procedimento a ser realizado (advertência, recomendação de alteração ou correção, etc) Porém, em recentes campanhas mostrou total desrespeito a opiniões divergentes - ridicularizando quem faz reclamações "sem fundamento" - (Conar: Ah, lá vem a turma RI-DI-CU-LA que adora reclamar de tudo!) inibindo assim quem pensa em fazer alguma critica (Público: Nāo vou reclamar pq o ñ quero parecer ridículo).

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